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Do José Carlos Lima (PA), dirigente nacional:

Tem gente que duvida das mudanças no clima do Planeta. Uns dizem que os cientistas do IPCC são alarmistas, outros que eles são conservadores nas suas previsões. Numa coisa a ciência concorda o clima no planeta está mudando, apenas não é possível fazer previsões seguras para longos períodos.

Eu mesmo sou testemunha empírica destas mudanças. Nasci na Amazônia. Em Belém, mas precisamente na Rua 25 de Junho, bairro do Guamá. Morava na parte mais baixa da Rua. Os pobres moram nas partes baixa do planeta. Na frente de casa havia uma vala e toda a água da chuva escorria por ela, transformando-a num imenso rio. Eu gostava de observar essa vala. Por ela passava a água que vinha da parte mais rica da minha rua.

Observando esta vala, aprendi a diferenciar chuva de verão e de inverno. No verão a correnteza da vala trazia muito lixo, a água era barrenta e rapidamente secava. Já no inverno a água vinha sem lixo, a cor era mais clara e a correnteza constante. Quando chegava o inverno amazônico, podia se preparar para faltar aula e ficar dentro de casa. Chovia o dia todo, a noite inteira e entrava pela madrugada. Às vezes a chuva se demorava por dois e até por três dias seguidos. Isso não ocorre mais por aqui.

Quando ia estiando, a gente já sabia, apareciam os vendedores das frutas de inverno. Marajá, uxi, umari, estas frutas as pessoas não conhecem mais.
Aquele inverno amazônico desapareceu, sumiu, não será mais possível observá-lo, ficou na minha infância. O clima mudou e disso eu tenho certeza, mesmo não sendo do IPCC. E vai continuar mudando num ritmo ainda mais acelerado.

Fico pensando daqui a alguns anos o meu filho na frente de um moderno editor de texto, movido a energia nuclear, relatando a sua infância.
Vai dizer que morava perto de uma praça cheia de árvores, vai descrever uma chuva com menor intensidade que a minha. Não vai falar das frutas de inverno, pois elas já não existem mais. As pessoas que acessarão o seu texto, por outros meios bem mais modernos, apenas conhecem tormentas e temporais, mas tão intensos que destroem tudo por onde passam, matam pessoas todos os dias.

Os tempos de tormentas se alternarão com períodos de calor insuportável e seca tremendas. A vida ficará insuportável. Serão oito bilhões de pessoas. Os jornais estarão dizendo: O clima enlouqueceu de vez. A Amazônia estará restrita a pequenas áreas de florestas plantadas, o resto será savanas, desertos.

O peixe-boi não existirá mais. As nossas lendas serão conhecidas se os livros do Walcir Monteiros forem digitalizados. O que restará do Arquipélago do Marajó?

O Xingu, Tocantins e o Tapajós estarão cheios de barragens abandonadas, verdadeiras peças de museu, ao seu lado modernas usinas de energia nuclear.

Alter do Chão será uma praia paradisíaca do passado. No planalto Santarém e na estrada Santarém-jabuti, no lugar das imensas e frondosas arvores, apenas soja.

Os minérios estarão esgotados por aqui. E o caudaloso rio Amazonas terá força para chegar ao oceano atlântico? A garganta de Óbidos com 110 metros de profundidade será atravessada a pé, com a água mal cobrindo os calcanhares. O mapará no…vinho não existirá em abundância. Algodoal, resistirá? Os caranguejos de São Caetano de Odivelas migrarão atrás de mangue.

As Docas do Ver-o-peso serão um retrato na parede e assim será o destino do centro histórico. Será que o mar de salinas chegará até aqui se os oceanos ultrapassarem a barreira do Marajó? Isso pode acontecer e não será Belém ganhando a sua tão sonhada praia.

A Terra estará se auto-regulando. Matando gente por terremotos, tsunamis e outros fenômenos. A intenção é diminuir o número de habitantes ou até exterminá-los, com isso a Terra voltará a se equilibrar para viver um novo período civilizatório, rodeada de espécies, pode não ter o ser humano entre estas espécies, quem decidirá é ela. Este é o juízo final de Gaia.

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O clima da conferência do Clima

Vídeo de Alfredo Sirkis, direto de Copenhague:

Acompanhe a cobertura dos verdes na COP-15 no site oficial do PV.

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Da Senadora Marina Silva, no jornal A Folha de S. Paulo:

NA SEMANA passada, o governo fez dois anúncios extremamente significativos: a menor taxa de desmatamento já registrada na Amazônia e o compromisso de reduzir a tendência de crescimento das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020.

São resultados importantes, conseguidos, ao longo dos anos, com a forte e contínua pressão de diferentes segmentos da sociedade e do Ministério do Meio Ambiente na construção de uma política ambiental. Sem isso, o compromisso do governo com a redução de emissões simplesmente não teria saído.
Saúdo o governo por isso e lembro que esses anúncios precisam fazer parte de uma visão estratégica de país. Aliás, a luta pelo cumprimento de tais metas está só começando.

Por isso é fundamental a institucionalização desses compromissos, para que não se percam no vácuo das declarações conjunturais.

Para o Brasil, seja qual for a opção eleitoral que a população faça no ano que vem, será necessária uma inflexão definitiva para o desenvolvimento sustentável. Há pontos de partida que já estão dados, a exemplo da abordagem que ajudou a criar as condições para que ambos os anúncios pudessem ser feitos. O Plano de Combate ao Desmatamento, que surgiu da síntese das melhores propostas da sociedade, integrando esforços dos órgãos governamentais e da sociedade, contribuiu nesse processo.

Mobilizou de modo extraordinário a opinião pública, por meio da transparência e do livre acesso às informações.

No âmbito internacional, o Brasil sempre procurou reafirmar seus espaços, desde a construção do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, proposta brasileira inserida no Protocolo de Kyoto, até a admissão de metas voluntárias, mensuráveis e verificáveis, apresentada em 2007, na Conferência de Bali.

Temos agora a oportunidade de concretizar aquele compromisso.

Para isso, teremos que estender a política de redução de emissões a outros setores, não só ao desmatamento, mas na agricultura, na energia, nos transportes e na indústria. Defenderei no Senado a ideia de inserir a meta anunciada no projeto de lei que trata da Política Nacional de Mudanças Climáticas. É preciso ratificar seu status de objetivo de longo prazo, a ser sustentado por quaisquer governos.

O Brasil está com tudo a seu favor e pode brilhar em Copenhague.

Só não podemos permitir que setores mais atrasados do governo e do agronegócio tenham êxito na desconstrução da legislação que sustenta as medidas que levaram a esses resultados. O Brasil deve assumir a vocação de líder e estar à altura das responsabilidades nacionais e globais que isso implica.

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Atenção dirigentes, filiados e simpatizantes do Partido Verde

Quinta Feira, 15 de outubro, às 19 horas, palestra e debate promovidos pelo Fórum Permanente de Discussão e Formação do PV

Tema: Política Brasileira de Mudanças Climáticas

Local: Sede Estadual do PV São Paulo – Rua Bartolomeu de Gusmão – 30 – Vila Mariana – São Paulo SP.

Inscrições gratuitas (11) 3628-4300

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Da Agência Estado:

Brasil deveria se comprometer com metas de redução de gases poluentes, afirmou a ex-ministra de Meio Ambiente e senadora Marina Silva (AC) ao jornal britânico “Financial Times” (FT), em entrevista que ganha destaque na edição desta terça-feira (6).

Conforme a publicação, o país deve se comprometer com uma redução de 80% do desmatamento até 2020, mas não está claro se aceitará metas para diminuir as emissões de gás carbônico (CO2) na conferência do clima marcada para dezembro, em Copenhague.

A ex-ministra deixou o PT no mês passado e foi para o PV, partido pelo qual deve disputar a Presidência da República em 2010.

“Deveríamos assegurar que o Brasil está comprometido com metas, mas que devem ser globais – não apenas para reduzir o desmatamento, mas para cobrir todos os setores que realizam emissões”, disse Marina. Ela defende que a redução dos gases poluentes deve ser parte de um compromisso mais amplo de mudança de modelo econômico nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

No entanto, avalia que falta visão ao governo para mudar a forma como a questão é conduzida. “O Brasil e outros países precisam fazer o ambiente e o desenvolvimento parte da mesma equação e não persistir no pensamento de que um está em oposição ao outro”, afirmou a ex-ministra. “Não há exemplo no mundo a ser seguido. O Brasil precisa ser o exemplo.”

O “Financial Times” diz que o país “é um dos grandes contribuintes para o aquecimento global, em razão da grande quantidade de floresta perdida para o cultivo e outras atividades a cada ano”. Sob o comando de Marina, o desmatamento desacelerou fortemente, aponta o jornal. A ex-ministra acredita que uma liderança do Brasil nessa área encorajaria outros países, como China, Índia, África do Sul e México, a seguirem a mesma linha.

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Da RBS (RS):

A senadora Marina Silva (PV/AC) lidera no próximo domingo, dia 24, uma caminhada no Rio de Janeiro em defesa do clima. A intenção é pressionar o governo brasileiro para assumir metas de redução de gases poluentes, durante a Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em dezembro, na Dinamarca.

A caminhada do Movimento Brasil no Clima partirá do final do Leblon em direção à praia do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro. Organizada pelo Partido Verde, a mobilização também será levada para outras capitais e contará com a presença de ambientalistas.

Marina Silva participou, em Brasília do lançamento da proposta do PV para a participação brasileira na conferência.

– A posição brasileira tem que ser em conjunto com a sociedade brasileira e é por isso que o PV está fazendo essa mobilização, para que possamos chegar comprometidos com aquilo que vamos nos comprometer dentro de um espaço multilateral – afirmou a senadora.

– O Brasil deve assumir metas oficiais, compromissadas de redução de suas emissões de gases de efeito estufa, tanto em relação a sua principal fonte, que são as queimadas de florestas, quanto a outras fontes que são a geração de energia, indústria, transporte e agropecuária. Consideramos que essas metas devem equivaler à metade daquilo que venha a ser compromissado pelos países desenvolvidos – disse o vereador carioca Alfredo Sirkis (PV).

Marina Silva criticou a postura do governo brasileiro em relação ao encontro de Copenhagen. Segundo ela, o país não parece empenhado em assumir metas de redução dos gases que provocam o efeito estufa.

– Achamos que essa posição está reativa, porque a produtividade se expressa na fala dos líderes e, infelizmente, não tivemos da parte do presidente Lula, agora no desempenho das Nações Unidas, um foco nessa questão das mudanças climáticas já sinalizando o papel do Brasil a assumir metas.

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Mobilização geral pelo Clima

Festa no Circo Voador: “uma atitude de alerta às mudanças climáticas”

O Movimento Brasil no Clima promove no próximo dia 24/09, às 19 hs, no Circo Voador, na Lapa, um super show que abrirá a semana de alerta às mudanças climáticas. Quem abre a festa é ninguém menos que a melhor bateria do carnaval carioca, Acadêmicos do Grande Rio. Teremos ainda a participações das bandas Moinho, grande sucesso da Lapa, banda Empolga às 9, que faz a alegria do carnaval de Ipanema, e a banda Tono, quinteto do filho de Gilberto Gil, Bem Gil, que lança seu primeiro álbum “Tono Auge”.

Na entrada, diversas ONGs, como a Fundação OndAzul, estarão expondo seus projetos de sustentabilidade, como energia renovável, alimentação natural, construção com bambu, reciclagem de lixo etc.

Camisetas do Brasil no Clima estarão à venda no local.

R$ 15 Estudante | R$ 30 Inteiro
Ingresso promocional:de R$ 15, com apresentação do flyer do evento

Classificação: 18 anos (12 a 17 anos somente acompanhado dos pais).

Brasil no Clima

O Brasil no Clima é um movimento com ambições planetárias que pretende fazer com que o cidadão do mundo se conscientize de sua importância na luta contra o aquecimento global.

PROPOSTAS DO MOVIMENTO BRASIL NO CLIMA:

I – Desmatamento zero: uma moratória do desmatamento na floresta amazônica, uma vez que o próprio Ministério da Agricultura admite que já há espaço de sobra para pecuária e para a agricultura em terras já desmatadas previamente e, que a fronteira agrícola pode se estabilizar. Isso depende de fiscalização, repressão aos desmatadores, mas, também, de subsídios aos pequenos produtores para manter a floresta em pé e pode ser financiado, em boa parte, por créditos de carbono.

II – Carvão zero: uma moratória na construção de novas termoelétricas a carvão. A adoção de regras na neutralização do carbono das siderúrgicas e de outras indústrias. Elas deverão; não só neutralizar suas emissões de carbono, financiando projetos de compensação, por absorção ou redução de carbono noutras atividades; como ter uma meta adicional idêntica àquela meta de redução que seja nacionalmente prevista para o setor industrial e de transportes.

Para mais informações sobre o movimento, acessar o site:
http://www.brasilnoclima.com.br/

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De Marina Silva, no Terra Magazine:

O planeta já sofre os efeitos das mudanças climáticas. O que pesquisadores e cientistas tentam prever é de que forma cada região será atingida nos próximos anos.

O jornal americano The New York Times divulgou no início desta semana projeções feitas pelos serviços de defesa americanos mostrando que as mudanças no clima representam grande desafio à segurança dos Estados Unidos, diante da perspectiva de aumento de tempestades e secas, da ocorrência de migração maciça, de pandemias e do racionamento de água, além de outros problemas em território americano e ao redor do mundo.

Mesmo não sendo conclusivas, as previsões não são nada animadoras. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) aponta que até 2080 provavelmente 1.1 a 3.2 bilhões de pessoas padecerão de escassez hídrica e 200 a 600 milhões de fome. A escassez de água, aliás, já é um problema global. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgou nessa semana que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo carecem de acesso à água potável.

Segundo estimativas conservadoras apresentadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no final do ano passado, as mudanças climáticas devem forçar o deslocamento de cerca de seis milhões de pessoas por ano. Eles estudam medidas para proteger os atingidos por catástrofes naturais. O problema, segundo já disse Wellington Carneiro, oficial de Proteção do Acnur no Brasil, exige alterações no Direito Internacional de Refugiados.

A situação na China – hoje a grande força motriz do desenvolvimento econômico mundial – é emblemática. A questão é saber o custo que o país pagará por sua desatenção às questões ambientais.

Em 2005, o então ministro do Meio Ambiente da China, Pan Yue, chegou a declarar, em entrevista à revista alemã Der Spiegel, que seu país poderá enfrentar um assombroso número de refugiados ambientais. “No futuro, precisaremos transferir 186 milhões de habitantes de 22 províncias e cidades. No entanto, as outras províncias e cidades só são capazes de absorver 33 milhões de pessoas. Isso significa que a China terá mais de 150 milhões de migrantes ecológicos, ou, se vocês preferirem, refugiados ambientais”. Na ocasião, Pan Yue disse que a principal causa de tal situação seria a chuva ácida e a poluição dos maiores rios da China, impossibilitando acesso à água potável por um quarto da população.

Um quadro como esse seria de catástrofe, o que ainda não parece ser percebido como tal por inúmeros dirigentes e líderes nacionais e mundiais. Ainda há quem ache que a situação “não é bem assim”, pela dificuldade de sair dos padrões habituais de ação ou de inação. De fato, não é fácil deixar o conforto dos cânones aprendidos e encarar que o conhecimento precisa ser urgentemente atualizado diante da crise das crises, tão grave a ponto de mudar a própria geografia, desafiando nossos conceitos de ocupação do espaço físico e humano do planeta e de relação entre humanidade e ambiente natural.

A principal agenda de nosso tempo é a das mudanças climáticas e ela não é algo circunscrito aos ambientalistas ou especialistas. Ao contrário, perpassa todas as áreas e impacta fortemente os modelos de tomada de decisão política. Ignorá-la e pagar pra ver não é sensato. Mais do que isso, é uma fuga para o passado de consequências desastrosas para o futuro.

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Os professores José Eli da Veiga (USP), Eduardo Viola (Universidade de Brasília) e Sérgio Besserman Vianna (PUC-RJ), todos especialistas em desenvolvimento sustentável, destacaram a necessidade de adoção a curto prazo de políticas mundiais de baixa emissão de carbono para minimizar os agentes causadores do aquecimento global e com isso reduzir os iminentes impactos que uma mudança climática extrema pode causar.

O alerta foi feito durante a primeira edição do Ciclo de Debates “Brasil Sustentável”, promovido pelo Partido Verde através da Fundação Verde Herbert Daniel, na noite de quarta-feira, 27/5, em São Paulo, que contou também com a presença do ambientalista e filiado do PV, João Paulo Capobianco.

O evento marcou o início de um processo de uma série de discussões em torno do tema da sustentabilidade com o objetivo de construir um projeto político para o Brasil com a transversalidade das mais diversas áreas que servirá de base para um programa de governo com a marca dos Verdes brasileiros.

A presidente estadual do Partido Verde, Regina Gonçalves salientou que o debate proposto está em sintonia com a sociedade pois as preocupações com o fenômeno do aquecimento global e suas consequências representam hoje um dos mais importantes itens na agenda das discussões mundiais.

Em nome da Fundação Herbert Daniel, da qual é presidente, o secretário de relações internacionais do PV, Marco Antonio Mroz, falou sobre a missão deste organismo partidário e a importância de trazer especialistas para contribuir com a discussão interna e com a formação de quadros. O presidente do PV de Pernambuco, Sérgio Xavier, veio de Recife especialmente para participar do debate e parabenizou o partido pela iniciativa.

Todo o evento foi transmitido ao vivo pela TV do PV e contou com a participação via teleconferência do deputado federal José Paulo Tóffano, de Brasília e do vice-presidente nacional do PV, Alfredo Sirkis, do Rio de Janeiro. O vídeo está disponível on demand no site da TV do PV e em breve estará no canal do PV no YouTube .

Peso político

Para o professor José Eli da Veiga, as discussões em torno da questão ambiental têm um relevante peso político no cenário mundial e colocam o Brasil numa situação particular diante dos outros países por dois aspectos: a devastação da Amazônia e o incentivo do governo brasileiro à construção das usinas termoelétricas, extremamente poluidoras, e à reativação da usina nuclear de Angra 3.

Ele disse que a questão maior do século é o aquecimento global e que o Brasil parece ignorar os estudos da Academia Brasileira de Ciências que evidenciam a gravidade do problema e a necessidade de um novo modelo que desenvolvimento que preserve a Floresta Amazônica. Ele lembrou que o desmatamento por queimadas é o principal responsável pelas emissões dos gases de efeito estufa por parte do Brasil e que estes estudos devem ser vistos como alertas pelos governantes. “O mundo vai na direção de uma política de baixo carbono a curto prazo e o Brasil não pode ir na contramão.”

Agenda de sustentabilidade do Brasil

O professor Eduardo Viola, da Universidade de Brasília, destacou que a nova economia é a chamada “economia verde de baixo carbono” e que o PV tem que assumir o papel de formador de opinião neste assunto. Em sua exposição, Viola elencou os 12 pontos que considera imprescindíveis para que o Brasil adote uma agenda de sustentabilidade:

1) Adaptação aos fenômenos climáticos extremos: desenvolver uma cultura de defesa civil e garantir a operatividade das ações em situações de tragédia com base num estudo mais aprofundado sobre a vulnerabilidade do país diante das mudanças climáticas e a transformação do mapa da agricultura.
2) Adoção de uma posição responsável do Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climaticas, assumindo metas de redução nas emissões de dióxido de carbono. “O Brasil não pode colocar a responsabilidade nas costas dos outros países.”
3) Garantia do estado de direto da Amazônia com a aplicação efetiva das leis brasileiras de proteção da floresta, que são umas das mais avançadas do mundo, desde que devidamente cumpridas. “Somos impotentes para controlar o desmatamento.”
4) Aumento da eficiência energética sistêmica desde que o Brasil tenha uma eficiente estrutura regulatória.
5) Investimentos no transporte coletivo e na infra-estrutura da malha viária. “Nossa deficiência é histórica.”
6) Promoção das energias renováveis. Houve avanços em relação às hidroelétricas e ao etanol, mas é preciso investir nas energias eólica e a solar, que serão as matrizes energéticas do futuro.
7) Garantia da qualidade ambiental geral (do ar, da água, do solo) cujos conceitos já estão na consciência da sociedade brasileira.
8) Reforma política.
9) Reforma tributária.
10) Promoção de um novo paradigma de educação. O sistema da sociedade contemporânea indica que não há correlação entre o aumento da renda e aumento da satisfação pela vida. A cultura consumista, somada ao desenvolvimento industrial e tecnológico está em contraponto com os estudos da chamada “ciência da consciência”, onde o SER é mais importante do que o TER.
11) Saúde. Está diretamente relacionada à cultura do consumismo. Apesar do abismo social, hoje o Brasil é um país de pessoas com sobrepeso e obesidade. Remete ao sentimento de vazio que jamais é saciado, do qual a sociedade contemporânea tem sido vítima.
12) Ciência e tecnologia. Promoção de uma cooperação internacional e em grande escala com a adoção de um plano racional do que o país pode produzir para a demanda interna e para o resto do mundo.

Descarbonização

O professor Sérgio Besserman Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro disse que a participação do Partido Verde nas eleições de 2010 será importante para o Brasil e para o debate mundial das questões ambientais.

Ele lembrou que o PV saiu na frente das discussões de uma agenda ambiental e que tem hoje uma grande responsabilidade na condução das ações políticas nesta área. “É preciso defender investimentos na ‘descarbonização’ não como uma oportunidade diante da crise econômica, mas como condição essencial para enfrentar a crise ambiental.”

Para Besserman, um partido que se pretenda progressista é um partido internacionalista que saiba falar sobre o local, mas que enxergue globalmente e que sob esta ótica saiba tratar da defesa da Amazônia e da produção de energias renováveis.

Massa crítica

Com a experiência de ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina Silva, o ambientalista João Paulo Capobianco se diz assustado como cidadão diante da forma como o Governo Lula vem tratando as questões ambientais. “Neste momento em que o assunto atinge tamanha gravidade no mundo todo, o Brasil anda para trás com a adoção do plano de estimulação de energia termoelétrica e com a simplificação dos licenciamentos ambientais.”

Para Capobianco, o Partido Verde tem uma grande oportunidade pela frente se souber conduzir o debate ambiental. “É uma obrigação do PV oferecer uma alternativa de política nas próximas eleições, mas é preciso garantir que seus quadros sejam representantes de uma visão contemporânea em relação ao meio ambiente e que contribuam para formar uma massa crítica na sociedade.” (Mara Prado – Secretaria de Comunicação PV-SP)

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