Os professores José Eli da Veiga (USP), Eduardo Viola (Universidade de Brasília) e Sérgio Besserman Vianna (PUC-RJ), todos especialistas em desenvolvimento sustentável, destacaram a necessidade de adoção a curto prazo de políticas mundiais de baixa emissão de carbono para minimizar os agentes causadores do aquecimento global e com isso reduzir os iminentes impactos que uma mudança climática extrema pode causar.
O alerta foi feito durante a primeira edição do Ciclo de Debates “Brasil Sustentável”, promovido pelo Partido Verde através da Fundação Verde Herbert Daniel, na noite de quarta-feira, 27/5, em São Paulo, que contou também com a presença do ambientalista e filiado do PV, João Paulo Capobianco.
O evento marcou o início de um processo de uma série de discussões em torno do tema da sustentabilidade com o objetivo de construir um projeto político para o Brasil com a transversalidade das mais diversas áreas que servirá de base para um programa de governo com a marca dos Verdes brasileiros.
A presidente estadual do Partido Verde, Regina Gonçalves salientou que o debate proposto está em sintonia com a sociedade pois as preocupações com o fenômeno do aquecimento global e suas consequências representam hoje um dos mais importantes itens na agenda das discussões mundiais.
Em nome da Fundação Herbert Daniel, da qual é presidente, o secretário de relações internacionais do PV, Marco Antonio Mroz, falou sobre a missão deste organismo partidário e a importância de trazer especialistas para contribuir com a discussão interna e com a formação de quadros. O presidente do PV de Pernambuco, Sérgio Xavier, veio de Recife especialmente para participar do debate e parabenizou o partido pela iniciativa.
Todo o evento foi transmitido ao vivo pela TV do PV e contou com a participação via teleconferência do deputado federal José Paulo Tóffano, de Brasília e do vice-presidente nacional do PV, Alfredo Sirkis, do Rio de Janeiro. O vídeo está disponível on demand no site da TV do PV e em breve estará no canal do PV no YouTube .
Peso político
Para o professor José Eli da Veiga, as discussões em torno da questão ambiental têm um relevante peso político no cenário mundial e colocam o Brasil numa situação particular diante dos outros países por dois aspectos: a devastação da Amazônia e o incentivo do governo brasileiro à construção das usinas termoelétricas, extremamente poluidoras, e à reativação da usina nuclear de Angra 3.
Ele disse que a questão maior do século é o aquecimento global e que o Brasil parece ignorar os estudos da Academia Brasileira de Ciências que evidenciam a gravidade do problema e a necessidade de um novo modelo que desenvolvimento que preserve a Floresta Amazônica. Ele lembrou que o desmatamento por queimadas é o principal responsável pelas emissões dos gases de efeito estufa por parte do Brasil e que estes estudos devem ser vistos como alertas pelos governantes. “O mundo vai na direção de uma política de baixo carbono a curto prazo e o Brasil não pode ir na contramão.”
Agenda de sustentabilidade do Brasil
O professor Eduardo Viola, da Universidade de Brasília, destacou que a nova economia é a chamada “economia verde de baixo carbono” e que o PV tem que assumir o papel de formador de opinião neste assunto. Em sua exposição, Viola elencou os 12 pontos que considera imprescindíveis para que o Brasil adote uma agenda de sustentabilidade:
1) Adaptação aos fenômenos climáticos extremos: desenvolver uma cultura de defesa civil e garantir a operatividade das ações em situações de tragédia com base num estudo mais aprofundado sobre a vulnerabilidade do país diante das mudanças climáticas e a transformação do mapa da agricultura.
2) Adoção de uma posição responsável do Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climaticas, assumindo metas de redução nas emissões de dióxido de carbono. “O Brasil não pode colocar a responsabilidade nas costas dos outros países.”
3) Garantia do estado de direto da Amazônia com a aplicação efetiva das leis brasileiras de proteção da floresta, que são umas das mais avançadas do mundo, desde que devidamente cumpridas. “Somos impotentes para controlar o desmatamento.”
4) Aumento da eficiência energética sistêmica desde que o Brasil tenha uma eficiente estrutura regulatória.
5) Investimentos no transporte coletivo e na infra-estrutura da malha viária. “Nossa deficiência é histórica.”
6) Promoção das energias renováveis. Houve avanços em relação às hidroelétricas e ao etanol, mas é preciso investir nas energias eólica e a solar, que serão as matrizes energéticas do futuro.
7) Garantia da qualidade ambiental geral (do ar, da água, do solo) cujos conceitos já estão na consciência da sociedade brasileira.
8) Reforma política.
9) Reforma tributária.
10) Promoção de um novo paradigma de educação. O sistema da sociedade contemporânea indica que não há correlação entre o aumento da renda e aumento da satisfação pela vida. A cultura consumista, somada ao desenvolvimento industrial e tecnológico está em contraponto com os estudos da chamada “ciência da consciência”, onde o SER é mais importante do que o TER.
11) Saúde. Está diretamente relacionada à cultura do consumismo. Apesar do abismo social, hoje o Brasil é um país de pessoas com sobrepeso e obesidade. Remete ao sentimento de vazio que jamais é saciado, do qual a sociedade contemporânea tem sido vítima.
12) Ciência e tecnologia. Promoção de uma cooperação internacional e em grande escala com a adoção de um plano racional do que o país pode produzir para a demanda interna e para o resto do mundo.
Descarbonização
O professor Sérgio Besserman Vianna, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro disse que a participação do Partido Verde nas eleições de 2010 será importante para o Brasil e para o debate mundial das questões ambientais.
Ele lembrou que o PV saiu na frente das discussões de uma agenda ambiental e que tem hoje uma grande responsabilidade na condução das ações políticas nesta área. “É preciso defender investimentos na ‘descarbonização’ não como uma oportunidade diante da crise econômica, mas como condição essencial para enfrentar a crise ambiental.”
Para Besserman, um partido que se pretenda progressista é um partido internacionalista que saiba falar sobre o local, mas que enxergue globalmente e que sob esta ótica saiba tratar da defesa da Amazônia e da produção de energias renováveis.
Massa crítica
Com a experiência de ex-secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente na gestão Marina Silva, o ambientalista João Paulo Capobianco se diz assustado como cidadão diante da forma como o Governo Lula vem tratando as questões ambientais. “Neste momento em que o assunto atinge tamanha gravidade no mundo todo, o Brasil anda para trás com a adoção do plano de estimulação de energia termoelétrica e com a simplificação dos licenciamentos ambientais.”
Para Capobianco, o Partido Verde tem uma grande oportunidade pela frente se souber conduzir o debate ambiental. “É uma obrigação do PV oferecer uma alternativa de política nas próximas eleições, mas é preciso garantir que seus quadros sejam representantes de uma visão contemporânea em relação ao meio ambiente e que contribuam para formar uma massa crítica na sociedade.” (Mara Prado – Secretaria de Comunicação PV-SP)









