De Ronaldo Vasconcellos, Secretário Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte:
Pequenas ações, grandes resultados. Esta talvez a melhor forma de definir a campanha “Segunda sem carne”, já lançada nos Estados Unidos, Brasil, Austrália e Reino Unido, onde o ex-beatle Paul McCartney se tornou seu mais fervoroso defensor.
Trata-se de uma campanha universal, não necessariamente voltada apenas para os vegetarianos. A intenção é de incentivar as pessoas a deixarem de consumir carne pelo menos uma vez por semana, contribuindo assim com o planeta e com o ser humano, uma vez que a produção de carne tem grande influência no processo de aquecimento global e na saúde de todos que a consomem.
Estudos assinados por especialistas apontam a pecuária bovina de corte, principalmente quando ela é feita de forma extensiva – a exemplo do que ocorre no Brasil – como uma das principais causas dos problemas ambientais no mundo, especialmente no que tange às emissões de gás metano (CH4), um dos grandes vilões na geração do chamado efeito estufa. Segundo números da ONU, a atividade pecuária, somada a outras fontes produtoras do CH4, como os desmatamentos para a agricultura e a formação de pastagens, além de mudanças no solo, seriam responsáveis por 18% da emissão de GEE na atmosfera da Terra.
Ao fazer essa soma dos geradores do CH4, é bom considerar que os desmatamentos, especialmente na região amazônica, têm uma forte ligação com a criação de pastagens para a atividade da pecuária extensiva. O rebanho bovino no Brasil atinge hoje 210 milhões de cabeças e a grande maioria é criada dessa forma. Traduzindo: em estatísticas gerais, no Brasil, se forem excluídas as emissões de GEE geradas pelas queimadas e desmatamentos, a pecuária torna-se a maior fonte poluidora, com mais de 42% das emissões.
Suponho que, depois de tantos números e argumentos, uma pergunta deva estar na cabeça do leitor: como o fato de deixar de consumir carne pelo menos uma vez por dia pode colaborar com a melhoria da qualidade de vida? As razões são múltiplas: a primeira delas seria a de levar os pecuaristas a aumentarem sua produção através do fornecimento de alimentos de melhor qualidade, reduzindo, como conseqüência, a degradação do solo com as pastagens extensivas. Pode parecer contraditório, pois, com a maior produção, teríamos um aumento das emissões diárias. Ocorre que esse procedimento reduziria o tempo de vida de um animal e, segundo os pesquisadores, poderia diminuir 10% da emissão de metano por quilo de carne produzida. Por último, mas não menos importante, reduzir o consumo de carne, além de preservar a natureza, é uma atitude extremamente benéfica para a saúde porque reduz também os riscos de se contrair, por exemplo, diabetes e problemas cardiovasculares.
Não sou “vegetariano” e muito menos “vegano” (aquele que não consome nenhum tipo de produto de origem animal), mas já assumi e aconselho a adesão das pessoas à campanha “Segunda sem carne”. Pelo bem da natureza e pela saúde humana.
Fernando Guida, membro da Executiva Nacional do Partido Verde e Secretário de Sustentabilidade de Niterói/RJ, informa que a cidade aceitou o convite e acaba de ser anunciada pela ONU/Unep (United Nations Environment Program) como única cidade da América Latina integrante da CN Net (Climate Neutral Network), uma das mais importantes redes do Mundo na troca de dados, informações e projetos visando a diminuição das emissões de gases causadores do efeito estufa.
Do jornal O Progresso (MA):
O deputado federal Fernando Gabeira (PV/RJ) e o secretário de Estado do Meio Ambiente, Washington Rio Branco (PV/MA), estiveram à frente de uma comitiva que foi, quarta-feira (27), aos municípios de Trizidela do Vale e Pedreiras, na região do Médio Mearim, os mais atingidos pelas enchentes no Maranhão. Eles constataram que a população está necessitando mais é de água potável.









